“Quanto a isso, temos muito que ensinar, assunto difícil de explicar, especialmente
porque vos tornastes indolentes para aprender. Apesar de que, a essa altura, já
devêsseis ser mestres, ainda estais precisando de que alguém vos instrua mais uma
vez quanto aos princípios elementares da Palavra de Deus. Voltastes a necessitar de
leite, quando já devíeis estar recebendo alimento sólido!” (Hebreus 5:11-12 – KJA)
O autor do livro de Hebreus não mediu palavras ao afirmar que seus leitores ainda
precisavam de “leite” espiritual. A mensagem é clara: eles estavam sendo comparados a
crianças, não por sua altura ou idade física, mas pela falta de maturidade espiritual. Mesmo
depois de um longo tempo de ensino, eles ainda necessitavam revisitar os princípios básicos
da fé, quando já deveriam estar aptos a ensinar outros.
Imagine a cena: adultos experientes, homens e mulheres com trajetórias de vida, sendo
chamados de crianças. Um tanto incômodo, não é? Mas a crítica não se refere à aparência
ou à idade. Trata-se de uma chamada à responsabilidade espiritual e emocional. Eles haviam
crescido fisicamente, mas continuavam estagnados no desenvolvimento de sua alma e
espírito.
Infantilidade versus Imaturidade
Para entendermos melhor, é importante diferenciar infantilidade de imaturidade. Imaturidade
é um estado natural do início da vida: todos nascemos bebês e crescemos aos poucos.
Infantilidade, no entanto, é uma escolha. É a recusa em assumir responsabilidades, a fuga
da realidade e a insistência em comportamentos que não condizem com a idade ou o papel
que devemos desempenhar.
Quem escolhe a infantilidade acredita que pode agir de qualquer maneira, sem considerar as
consequências de suas ações. Não reconhece sua importância no cumprimento de tarefas
no Reino de DEUS e, ao mesmo tempo, prejudica a si mesmo e aos outros.
O Chamado à Maturidade
Os hebreus enfrentavam esse dilema: para se tornarem mestres, precisariam crescer. O
escritor de Hebreus lamenta que eles haviam se tornado “indolentes para aprender”, ou seja,
negligentes e preguiçosos. Por isso, ele não podia compartilhar ensinamentos mais
profundos, pois eles ainda estavam presos às bases da fé.
Para deixar a infantilidade para trás, seria necessário um passo decisivo. Paulo descreveu
bem esse processo em 1 Coríntios 13:11:
“Quando eu era criança, pensava como menino, sentia e falava como menino. Quando
cheguei à idade adulta, deixei para trás as atitudes próprias das crianças.”
Esse “deixar para trás” implica abrir mão de pensamentos, sentimentos e atitudes imaturas.
Permanecer agindo como criança impede o desenvolvimento pleno de um adulto,
mantendo-o numa visão limitada e fantasiosa da realidade.
Responsabilidades da Maturidade
Assim como uma criança depende de outros para crescer, um adulto deve assumir
responsabilidade por sua vida e escolhas. Um adulto que se recusa a crescer perde o
governo sobre sua própria vida e delega responsabilidades que deveriam ser suas. Como
resultado, ele se frustra diante das dificuldades que, inevitavelmente, enfrentaremos.
Lembre-se: “aquilo que o homem planta, certamente colherá” (Gálatas 6:7). Escolher a
maturidade é essencial para cumprir nosso chamado no Reino de DEUS. Paulo é um grande
exemplo disso: ele abandonou seus pensamentos e atitudes de menino para se tornar o vaso
escolhido por Jesus, levando o Evangelho aos gentios, reis e filhos de Israel.
Um Convite Ao Crescimento
Assim como Paulo e os hebreus, somos chamados a crescer. Deixar a infantilidade significa
assumir responsabilidades, abraçar desafios e se preparar para aquilo que DEUS nos
confiou. Que possamos refletir sobre nossa própria caminhada: estamos prontos para o
“alimento sólido” ou ainda estamos presos ao “leite”? A escolha é nossa.
Que possamos, como Paulo, deixar para trás as coisas de menino e abraçar a
maturidade que DEUS deseja para nossas vidas.